Cruzes Canhoto!
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9/15/2003

AND THE GOSPELS ARE... – Para perceber quais os Evangelhos que foram escolhidos e assim determinaram toda a natureza da Igreja Católica e do Cristianismo, temos de ir às divergências religiosas do seu início. Tudo começou com S. Paulo. Apesar de ser míope, epiléptico, coxo, doente, misógino e feio, Paulo tinha a energia típica dos fanáticos e estava disposto a converter toda a gente ao Cristianismo, nem que para isso tivesse de arrebentar com todos os princípios do mesmo. Não hesitava por isso em fazer todo o género de concessões que lhe permitissem evangelizar gregos e restantes pagãos. Ora isso punha-o em choque com os Apóstolos do Messias, que estavam inclinados a restringir a sua pregação aos judeus (ver Carta aos Gálatas). Esta foi a primeira grande divergência política cristã conhecida. Tal como hoje se fazem “estudos científicos” para legitimar posições políticas (ver Lomborg), na altura escreviam-se Evangelhos a descrever a vida de Cristo à luz das posições defendidas, pelo que surgiram de imediato uma série de Evangelhos que corroboravam a perspectiva de paulo ("Ide e levai a Boa Nova a todo o mundo!") Paulo acabou por vencer pelos números (havia mais gregos, egípcios, romanos e outros para converter que judeus) e os evangelhos pró-judeus cairam em desfavor. Mais tarde Ireneu, como não podia deixar de ser, escolheu para integrar o Novo Testamento o mais antigo Evangelho conhecido a obedecer aos requisitos paulistas (i.e. caracterizar os Apóstolos como atrasados mentais), o Evangelho de S. Marcos (embora tenha sido necessário acrescentar-lhe uma história da ressurreição que a versão original não incluía), dois evangelhos paulistas populares: S. Mateus para agradar a judeus (é o chatíssimo do “tal como diziam as escrituras”) e S. Lucas para os pagãos (que incluía muita pirotecnia, como milagres e acontecimentos portentosos, que os ex-politeístas tanto gostavam). O quarto evangelho foi o de S. João que, além de ser mais erudito para agradar às classes altas (os outros eram para o “pobão”), tinha a vantagem de permitir a defesa de uma igreja mais institucional e monolítica. (Nem de propósito, normalmente os teólogos da libertação gostam mais de citar S. Marcos e os teólogos reaccionários de citar S. João). Pagels afirma que o Evangelho de S. João foi escrito como reacção ao recentemente descoberto Evangelho de S. Tomé. Enquanto o de S. Tomé fazia a apologia de uma igreja individualizada em que cada um teria de descobrir a salvação por si próprio, S. João legitimava uma igreja institucional que forneceria a salvação por igual a todos. Ou mais precisamente, é esse o sentido do episódio bíblico do Apóstolo Tomé que só acreditando quando vê, mostra que cada um tem de encontrar o seu próprio Messias para se salvar. João é claro que o critica, sustendo que basta acreditar porque a Igreja assim o diz. Após mais umas tropelias heresiarcas sobre se Jesus era mesmo feito de carne ou não, se comia ou não, se defecava ou não, etc., o credo católico foi finalmente fixado no concílio de Niceia no séc. IV através dos métodos religiosos tradicionais (milagres encenados, assassínios, subornos e ameaças). A Igreja Católica tornou-se única, institucional, conservadora e incestuosa com o Império. Adiante, antes que o Tiago tenha um síncope. Espero não ter provocado uma crise de fé em alguém. J

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