Cruzes Canhoto!
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9/19/2003

ELOGIO GRATUITO DE FACHO - Informo ou relembro que a partir de hoje, o Público começa a ser acompanhado todas as sextas por álbuns completos de Tintim a 4?, sendo o de hoje gratuito. Georges Rémi de alcunha R. G. ou simplesmente Hergé, foi uma figura polémica sendo acusado de simpatizante nazi, racista, misógino e outros mimos. Foi no entanto, indiscutivelmente, um dos génios da 9.ª arte, tendo criado uma linguagem pessoal, única, muitas vezes imitada mas nunca igualada. É certo que os primeiros álbuns são fraquinhos. Tintim no País dos Sovietes é um libelo embaraçosamente básico contra a URSS que mostra tiras como uma fila de racionamento, em que quem é comunista leva comida e quem não é leva pontapés no cú. O álbum seguinte, Tintim no Congo, é ainda mais rudimentar. A história propriamente dita acaba a meio, sendo o resto das pranchas preenchido com diversas ilustrações de animais a serem mortos e torturados de forma sádica. Isto, para não falar da forma como os africanos são caracterizados. Tintim na América, se tivesse sido feito hoje, seria classificado de "anti-americanismo primário", com a sua caracterização dos americanos como gordos, estúpidos e gananciosos. Só mesmo com O Lótus Azul é que Hergé ultrapassou a fasquia da mediocridade e o fosso da caricatura estereotipada. A partir daí a obra tornou-se cada vez mais refinada até atingir os pícaros da fantasia de O Segredo do Licorne/O Tesouro de Rackam, o Terrível, a especulação científica de Rumo à Lua/Andando na Lua, a visão cínica da política sul-americana e árabe de Tintim e os Tímpanos/Tintim e os Pícaros (o mesmo livro com dois títulos diferentes em português) e Carvão no Porão, o minimalismo gráfico de Tintim no Tibete e os contornos tragicómicos de O Colar de Castafiore. Hergé conseguiu conjugar nos seus álbuns aventura e investigação com humor típico das slapstick comedies americanas, figuras bizarras e inesquecíveis como os polícias Dupond e Dupont, o colérico capitão Haddock dos "raios e trovões" ou o surdo como uma porta professor Girassol. Hergé foi também o criador da linha clara, um estilo de desenho marcado por um traço extremamente fino e rigoroso e pela quase ausência de sombra, estilo esse que foi levado até aos pícaros pelo seu colaborador Edgar P. Jacobs em Blake & Mortimer e se tornou a imagem de marca da BD comercial europeia. Houve melhores desenhadores que Hergé, como Bob de Moor, melhores argumentistas, como Jacobs, melhores humoristas, como Goscinny, BDs mais rigorosas, como o Alix de Jacques Martin. Mas nenhum igualou Hergé em todos estes níveis a mesmo tempo. Fim de propaganda gratuita. J

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