Cruzes Canhoto!
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9/09/2003

IMAGENS EM LIBERDADE - Miguel de Noronha num comentário: A liberdade de concorrência não se alcança com com medidas administrativas. O pouco espaço que as cinematografias (e porque não a musica?) alternativas alacaçam só revela a sua pouca aceitação pela generalidade das pessoas. Em Setúbal existem 2 cinemas (pagos pela câmara) que passam filmas "alternativos". Muito raramente estão cheios (só quando passam o Harry Potter) e muitas vezes não têm mais que meia duzia de espectadores por sessão. Deverão os restantes setubalenses pagar pelos gostos da meia duzia (na qual me incluo)? Passei o comentário para aqui pois é um assunto que considero bastante importante. Nele identifico duas questões: a importância da arte não comercial para a sociedade e o seu financiamento. Se traçarmos um paralelo entre uma sociedade e uma empresa, como tanto gostam os economistas de fazer, verificamos que nas empresas mais desenvolvidas encontramos quase sempre uma secção dedicada à inovação e à pesquisa. Esta secção raramente é bem vista pelos trabalhadores de uma empresa visto que introduz alterações constantes aos seus métodos de trabalho e à sua rotina que tanta gente inconscientemente adora. Esta secção nunca dá lucros imediatos e é, pelo contrário, fonte de investimentos sem retorno aparente. No entanto todas as empresas as têm, pois sabem que são cruciais no seu desenvolvimento e na sua capacidade competitiva. A arte não comercial é o I&D da sociedade. Nela se testam ideias, emoções e formas de vida a fim de determinar os seus limites e defeitos. É nesta arte que se ensaiam novos ideiais, aspirações e objectivos de futuro, que permitem a uma sociedade evoluir e manter-se à tona e lhe dá metas a longo prazo. Uma sociedade que não se testa, que não procura novas soluções e novas formas de organização ficará irremediavelmente para trás. (E a arte comercial o que seria numa empresa? O controlo de qualidade, evidentemente, que vigia, incentiva e reforça práticas e objectivos validados pela arte não comercial. Por isso tem também o seu papel numa sociedade. Só que nesta, a sua importância é de imediato compreendida pelos operários.) Esta importância foi bem compreendida por todas as classes dirigentes de todas as principais sociedades desde a Antiguidade, que financiaram, apoiaram e patrocinaram obras de arte que não se coadonariam necessariamente com o gosto do povo. Um exemplo de uma sociedade que não compreendeu isto foi Esparta, cujas artes foram mortas quase à nascença. Significativamente, a sociedade espartana foi incapaz de evoluir e de se renovar e mergulhou numa decadência rápida e irremediável. Actualmente temos o facto novo de que não são as classes mais poderosas que governam directamente as sociedades ocidentais (pelo menos de forma legal), pelo que à partida não têm interesse directo em fomentar a arte não comercial, deixando isso nas mãos dos governos. Estes, para não arcarem com todas as responsabilidades fizeram leis do mecenato a conceder benefícios fiscais a quem a tal atitude se dispusesse. Ora tanto quanto sei, estas leis de mecenato apenas têm alguns efeitos práticos nos EUA, onde a existência de fortunas colossais, a preponderância das grandes empresas, a demissão artística do Estado (excepto no concerne a protecção dos lucros destas empresas), pesados impostos de sucessão e um sistema fiscal relativamente eficaz originaram a criação de fundos e patrocínios artísticos que sustentam toda a arte não comercial. Na Europa, a arte é maioritariamente financiada pelo Estado e as grandes empresas não têm o poder nem os fundos das empresas americanas, a não ser as semi-estatais, que são também que esmagadoramente exerce o mecenato. Em Portugal tal situação agrava-se por um sistema fiscal anedótico e por um tecido empresarial retrógrado e semi-analfabeto (o Artur Santos Silva é a excepção que confirma a regra) que tem dificuldades em compreender a importância da inovação nas suas próprias empresas quanto mais na sociedade. Logo esta tarefa tem ficado maioritariamente nas mãos do Estado. Agora no que diz respeito propriamente à tua questão se a arte devia ser financiada pelo contribuinte (Europa)ou por privados (EUA), bem, é uma questão política geral que levaria um blogue inteiro a discutir. Pela sua importância para a sociedade, acredito que o Estado deve participar no seu financiamento, integralmente se necessário. Mas como dizia a propósito de uma questão sobre o teatro colocada pelo Campo dos Afectos, acho que a situação ideal seria a multiplicidade de financiamentos que assegurassem a máxima liberdade artística. J

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