Cruzes Canhoto!
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9/14/2003

JORGITO SPEAKS - Com fair play, o Alberto aceita os números, mas acha que estou a ser azedo e tem algumas dúvidas de contextualização. Eu descrever-me-ia como "acutilante", mas aceito a deixa e vou bénardizar o tom.
Não sou fidelista, como já disse, não tenho t-shirts do Che, não celebrei os 50 anos da revolução cubana (tal como suponho que o Alberto não celebra o 28 de Maio) e até li a Carta a Fidel Castro do Arrabal, rindo dolorosamente com o dirigente cubano em desgraça que se "suicidou" com uma rajada de metralhadora (juntamente com o ex-delfim do Ever Hoxa que se "suicidou" com um tiro nas costas e o dirigente de já não sei que regime que se "suicidou" à paulada estão no meu top de "suicídios" criativos). Continuo, no entanto, a achar que comparações entre Castro e Pinochet não são mais que uma forma de branquear o regime de Pinochet que, repita-se, ao contrário de Castro, foi feito contra um regime democraticamente eleito que continuava a organizar eleições livres. Quanto às conquistas sociais remeto de novo para a comparação entre os números de literacia do Chile e Cuba entre 53 e 95. Certamente que algo se deve ter passado de entremeio, não. Por outro lado é também para isso que servem os números portugueses. Não só para mostrar casos escandalosos (como os 10% de iliteracia portugueses) ou os grandes desníveis sociais que perduram no Chile actual, mas também para recordar que Portugal também teve uma ditadura de direita. Por sinal até mais obscurantista e reaccionária que a de Pinochet, parece-me, embora não tão sanguinária. Mas não vou entrar no jogo viciado de discutir se Salazar era mais totalitário que Pinochet porque, mesmo sendo ambas de direita e nascidas de golpes contra regime democráticos, eram ditaduras diferentes, em contextos diferentes e com evoluções diferentes. Quanto à utilidade da literacia e dos médicos: bem, talvez penses ao contrário, mas eu acredito que a adaptabilidade e versatilidade humana tornam o profissional mais importante que a máquina e capaz de fazer milagres que nenhuma cirurgia laser consegue. Gostava de poder fazer link para a notícia de um médico (no Andes, justamente) que fez uma operação urgente e salvou alguém de morrer apenas dispondo de pregos, de um alicate, de um martelo e de uma chave-de-fendas, mas já não sei onde a vi, ou uma entrevista do Público a um catedrático de medicina onde este reconhecia que os melhores médicos são os que nascem das guerras e têm de curar ferimentos inacreditáveis no meio da calamidade e longe das salas de operações e do último grito electrónico. Mesmo excluindo isso, muitos médicos que podem ocorrer a muitos casos urgentes parecem-me melhor que poucos médicos que não chegam para poder operar muita tecnologia ou ocorrer a todos quantos precisam. Tenho até um pressentimento que em Cuba não deve haver listas de espera para operações cirúrgicas com mais de 150 mil entradas.
Quanto à literacia, de novo acho que pessoas formadas, informadas e com capacidade de pensar são o melhor motor de desenvolvimento de um país a longo prazo e participação cívica no futuro. Se não me engano é o próprio David Landes (insuspeito de ser canhoto) que diz que o principal criador de riqueza de uma nação são as massas literatas e não as elites superliteratas, nem os bips e as luzinhas das máquinas. Um caso exemplar são a Irlanda e a Costa Rica que após um investimento titânico na educação dos respectivos povos, são agora os construtores de todos as peças e xptos que permitem que tenhamos estas conversas. J

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