Cruzes Canhoto!
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9/13/2003

NÃO TENS DE QUÊ, PÁ! E TEM CUIDADO QUE ELA LEVOU UM BANHO DE 24 QUILATES - O Alberto Gonçalves acha que nós fingimos que não "perceber o respectivo sentido" da sua comparação Castro-Pinochet para assim melhor" o "insultar". A bem dizer, a princípio não percebi porque achas que tentámos te insultar e até pesquisei o artigo à procura de termos como "cabrão", "filho da mãe" ou outras coisas do género. Como não encontrei, temi que sofresses do síndroma da Madonna e te sentisses insultado por ironizarem com o que escreves. Só depois percebi que, na tua argúcia, tinhas interpretado "Berto" como diminutivo de "Bertoldo" que significa "palerma" (nada de piadas ao Brecht, sim). Peço humildemente desculpa pela confusão, na realidade "Berto" era somente um diminutivo amigável de "Alberto" no seu sentido teutónico de "brilhante" e não estava de maneira nenhuma a insinuar que costumas dizer bertoldices. Em compensação deixo que me chames J, Jorge, Jor, Jorgito ou mesmo Jorginho ("Joquinha" pode dar azo a atitudes estalinistas). Achei simplesmente admirável como, depois de acusar a esquerda de estabelecer associações parvas entre o 11 de Setembro de 1973 e o 11 de Setembro de 2001 (que só estão unidos pela mesma data e por serem ambos golpes brutais de ideais totalitários contra regimes democráticos), a direita se dedicou a comparar o regime castrista com o regime pinochetiano que, se excluirmos bagatelas como condições, historiais, ideologias, evoluções, métodos, práticas, personalidades e funcionamento, têm em comum o facto essencial de se encontrarem no mesmo continente (mas em lados opostos, um no centro e o outro no sul e sendo o primeiro numa ilha) e faz por isso tanto sentido como comparar a democracia portuguesa com a democracia búlgara. Quanto à minha devoção por Cuba, cito-te o que disse ao Intermitente a 21 de Abril: [ Seg Abr 21, 05:24:52 PM | cruzes canhoto | edit ] CUBA - O Intermitente comentou que depois do Saramago ter renegado o regime cubano, só faltava mesmo o Cruzes Canhoto, fazer o mesmo. (...) Pessoalmente, comparo o regime cubano ao regime salazarista, mas com menos padrecos e mais preocupações sociais. Ambos são regimes paternalistas sem liberdade de expressão e sem tolerância para com a diversidade de opiniões e ideias. Ao contrário do regime salazarista, o regime castrista já teve alguns efeitos bastante benéficos para a população (...) Por isso, se queres saber se condenamos a prisão dos dissidentes, respondemos: "claro que sim", se queres saber se condenamos a execução sumária dos três piratas do navio, respondemos que somos por princípio contra a pena de morte. Se queres saber se trocávamos o direito a dizer mal da mãezinha do Fidel por amor livre, condições mínimas garantidas de vida, drogas leves livres e a praia e sol das Caraíbas, não, não trocávamos. Mas isso não quer dizer que não tenhamos a lucidez para ver o que há de negativo aqui e o que há de positivo em Cuba. Estamos entendidos?(...)

Quanto aos números palpáveis apressamos a dá-los, porque não gostamos de fazer esperar as pessoas. Seguem-se vários indicadores da ONU para o desenvolvimento humano. Os números regulares dizem respeito a Cuba, os itálicos ao Chile e os negritos a Portugal. Note-se que o Chile já se conseguiu livrar da ditadura de direita há mais de dez anos e Portugal há quase trinta, pelo que tiveram algum tempo para recuperar. Esperança de Vida - 76.5 75.8 75.9 Percentagem de pessoas a viver com menos de 2$ por dia - 0% 8,7% Acesso a saneamento básico - 98% 96% Acesso a medicamentos essenciais - 95-100% 80-94% 85-100% N.º de médicos por cada 100 000 habitantes - 590 115 312 Esperança de vida - 76.7 anos 76.1 anos Mortalidade infantil - 7 em cada 1000 10 em cada 1000 5 em cada 1000 Literacia - 96,8% 95.9% 92.5% Despesas com a educação - 8.5% do PIB 4.2% do PIB 5.8% do PIB Despesas com a saúde - 6,4% do PIB 3.1% do PIB 5.8% do PIB Só a título de curiosidade: Índice de desigualdade económica - 57.5 38.5 Finalmente, neste documento do governo norte-americano encontrei este indicador que ajuda a contextualizar as coisas: Literacia: Cuba 76% (1953) 96% (1995) Chile 81% (1953) 95% (1995) Prontos, Alberto, como vês somos gajos prestimosos e apenas totalitários quando nos tentam joquinhizar. Pedimos desculpa por qualquer gralha, vírgula mal colocada e erro de concordância de número ou género (já agora, qual é o corrector ortográfico que usas?) que possa surgir, esperamos que a escova seja útil e vamo-nos vendo no metro. J

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