Cruzes Canhoto!
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1/07/2004

A CANHONEIRA DO MARK - Vejo que o Intermitente cita abundantemente Mark Steyn. Mark Stein é o ídolo de todos os jovens urbanos anglófilos de direita: um turbocolunista que escreve para uma dúzia de publicações em seis ou sete países diferentes, discorrendo doutamente e com conhecimento de causa sobre os eventos do país em questão numa perspectiva politicamente incorrecta (i.e. manda piadas insultuosas sobre todos os que não são pró-americanos, pró-republicanos, pró-religiosos, pró-sionistas, pró-capitalistas, pró-moralistas, pró-bélicos e pró-caçadeiras). Tem ainda a aura mítica de, tendo nascido no Grande Satã Socialista (o Canadá), ter fugido a sete pés da terra natal para ir viver para uma zona rural da Nova Inglaterra americana, entre o aroma dos crucifixos e da bosta e longe do fedor das urbes multiculturais. Entre outras coisas, Mark acha que os homossexuais eram muito mais divertidos quando a sua condição lhes permitia serem espancados e presos e que os proprietários têm o "direito totalmente razoável de matar ladrões". Pessoalmente, acho muito interessante este último conceito, visto que tecnicamente implica que o proprietário pode matar à vontade o intruso, mas se o intruso matar o proprietário é condenado e executado. Remete-me especialmente para os bons velhos tempos do séc. XII, em que os nobres podiam mandar enforcar campónios que caçassem e comessem uma perdiz da sua floresta, mas os campónios tinham de assobiar para o lado quando nobre lhes entrava em casa e devorava a despensa, a mulher e as filhas. Além de que me faz supor que a propriedade confere direitos divinos ao seu dono, ou pelo menos o coloca acima do mandamento de "Não matarás". Mas o que me preocupa mesmo é o perigo que esta medida implica para os autores de romances policiais. Com ela é mais fácil eliminar velhos ranhosos: basta convidá-los a nossa casa, passar-lhes as jóias da família para as mãos e depois alegar que nos estavam a tentar assaltar. Assim é demasiado fácil! Mas, de qualquer forma, é sempre agradável poder imaginar o bom velho Mark a andar na sua pick-up, com o seu cão e a sua pistola-metralhadora, exibindo um auto-colante no vidro traseiro: "Have property, can kill."

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