Cruzes Canhoto!
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1/15/2004

IUPIIIII, LEVARAM-ME A SÉRIO - Isto não é coisa que aconteça todos os dias, digo, todos os meses, pelo que há que aproveitar. Ora bem, deixem-me primeiro contar como foi ontem a sessão de expressão de sentimentos xenófobos: Primeiro, o xenófobo profissional necessita de se equipar convenientemente para a sua tarefa patriótica. Primeiro, é necessário um uniforme adequado: Doc Martens para esborrachar a insectada estrangeira, luvas para não sujar as mãos de sangue, casaco de cabedal ou camuflado adaptado à guerrilha urbana e máscara de esqui (de marca) para não se ser reconhecido pelas forças policiais vendidas aos penetras. Tudo equipamento caríssimo que tem de ser adquirido sem qualquer subsídio estatal, apesar de se destinar a uma elevada tarefa patriótica. Mas o material fundamental para este tipo de ataque preventivo são os calhaus. Atenção! Nem qualquer calhau serve. É necessário calhaus suficientemente resistentes e suficientemente bicudos para partirem efectivamente as vitrinas, e não somente as estilhaçarem ou fazerem mossa. Estes calhaus não existem normalmente na natureza, já prontinhos ao lado de um qualquer estabelecimento da imigrantada e prontos para o xenófobo se poder casualmente aproximar e dizer lá-vai-disto. Pelo contrário, os calhaus exigem que o xenófobo consciencioso gaste boa parte dos seus fins-de-semana em pedreiras e outros locais apropriados a recolher calhaus em bruto, e depois dedicar muitos serões a pacientemente moldá-los na forma certa com martelo e cinzel. Só a minha dedicação à causa da xenofobia me valeu muitos dedos feridos e amputados, sem qualquer pensão por invalidez do Estado ou gratidão dos meus compatriotas. Mas a cruz do xenófobo dedicado não termina aqui. Pois é necessário proteger os calhaus com algodão e papel higiénico para que não lasquem e acondicioná-los dentro de uma mochila discreta mas resistente. Todos estes preparativos exigem, como imaginam, que a operação xenófoba tenha um elevado grau de complexidade, pois implica que o xenófobo tenha de se aproximar discretamente da montra-alvo, pousar a mochila, extrair um calhau, remover a protecção do calhau, fazer pontaria, atirar o calhau, fechar a mochila, pôr a mochila às costas, apanhar o algodão e o papel higiénico do chão e dar às de vila diogo antes que surja alguém. Uma tarefa, como podem ver, não recomendada a amadores e que exige anos de dedicação e esforço antes de se atingir a perfeição. Infelizmente, todo este esforço foi infrutífero ontem à noite. Primeiro, descobri que à hora da operação (3 da manhã) a maioria das lojas chinesas ainda estavam em pleno funcionamento. Segundo, as lojas chinesas fechadas pareciam ter instalado umas vitrinas de borracha, pois os calhaus faziam ricochete e eram devolvidos à procedência. Como devem imaginar, se não se desse o caso de eu ser um gajo robusto e corpulento (graças ao bom hábito de passear com mochilas cheias de calhaus às costas) teria ficado em papas. Por último, na única loja onde o calhau teve o efeito desejado, deu-se o infortúnio de lá estar dentro um daqueles chineses cetácicos, estilo lutador de Sumo, que resolveu exprimir os seus instintos racistas sentando-se em cima do meu tórax durantes umas boas três horas. O resultado foi uma grave falta de oxigénio, que receio tenha espatifado 50% dos meus neurónios (o que sobrou está bem, obrigado). Submetem um honesto patriota a estas coisas e depois admiram-se que a xenofobia grasse por aí!

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