Cruzes Canhoto!
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1/14/2004

MUDAR COMO? - O LR tem andado a defender uma IV República. Eu sou, de forma inata, a favor de tudo o que seja novo, de modo que a ideia me agrada por princípio. Mas como não tenho bem a certeza do que o Geraldo Sem Pavor dos blogues defende para esta hipotética nova República não posso ser a favor ou contra, à excepção de esperar que seja uma República. Queria só observar que me parece que para haver mudanças de regime (tomem lá um cheirinho a materialismo histórico) tem de haver mudanças sociais. Assim como o 25 de Abril foi possível porque surgiu uma juventude com horizontes mais vastos, tanto devido à frequência universitária como à guerra em África, para quem o Deus, Pátria e Família já não eram suficientes (geração essa que ainda h oje está no poder, para haver uma mudança óssea e não cosmética no regime português terá de haver uma nova geração, com ideias novas e vontade de ruptura. Não conheço nenhum estudo recente feito à juventude portuguesa sobre as suas opções de vida e opiniões políticas. Mas surgiu recentemente um estudo à juventude urbana espanhola , entre os 15 e os 24 anos, que talvez seja um indicador interessante. Segundo o estudo os jovens espanhóis são tolerantes para com as questões morais, sendo por isso a favor da liberalização do aborto e da eutanásia, e tendem para a secularização, com 45% de católicos não-praticantes, 20% de indiferentes para com a religião e 17% de ateus. Têm também uma maior politização e um menor desejo de aceder ao ensino superior e inclinação para autonomia pessoal. O estudo definiu os cinco grupos com hábitos perfeitamente definidos: - os Estudiosos (45%), que vivem com os pais, são politicamente ao centro, católicos crentes e menos dados a transgredir ou a arriscar, têm mais sucesso escolas e uma vida sexual menos activa; - os Trabalhadores (23%), mais velhos, ideologicamente neutros, não se identificam com o proletariado clássico, uma boa parte dos quais já abandonou o lar paterno, consomem álcool e drogas ao fim-de-semana, mas não regularmente; - os Extrovertidos (17%), têm faixas etárias entre os 18 e os 22 anos, estudam na maior parte na universidade e são tendencialmente de esquerda, sendo os que mais bebem, consomem mais drogas e têm vida sexual mais activa, sendo também mais cultos e solidários; - os Consumistas (12%) abrangem todo o estudo, embora com certa preponderância de adolescentes do sexo masculino que vivem com os pais, gostam de fazer compras, viajar, praticar actividades de lazer, preocupam-se com a imagem, sofrem de insucesso escolar e estão associados a comportamentos de risco, como drogas e violência; - os Domésticos (6%) são praticamente todos do sexo feminino de todas as idades, que passam muito tempo em casa porque têm de desempenhar as lides da casa , sendo as mais religiosas e raramente tomam drogas, além de tranquilizantes. Mais interessante é que a maioria, 48,3% (pelo que os conservadores podem perder as suas veleidades a "minoria" ou "contra a corrente"), valoriza a ordem, a disciplina e os valores dominantes, 23,3% defendem a ruptura com a situação (à esquerda e à direita, suponho), 14,8% (só??? Duvido.) são a favor do que estiver na moda, e 13,6% situam-se à margem das oportunidades sociais, quer por vontade própria ou não. IV República? Dificilmente.

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