Cruzes Canhoto!
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1/11/2004

A PROPÓSITO DA MASTURBAÇÃO - Nas sociedades ditas pré-civilizadas são omnipresentes os rituais de passagem para a idade adulta, em que o (mais raramente "a") jovem tem de provar o seu valor para deixar de oficialmente ser uma criança e tornar-se um adulto de direitos e deveres reconhecidos. Nas nossas sociedades ditas "civilizadas" (e livres, democráticas, benignas, avançadas, desenvolvidas, etc.), estes ritos não são assumidos enquanto tal, embora não deixem de o ser, pelo que frequentemente são complementados com ritos não-oficiais, e por vezes bastante ilegais, que desempenham essa mesma função. Como exemplo, veja-se a universidade, cujos exames de acesso constituem um rito de passagem oficial e as praxes um rito não-oficial. Estes ritos existem em toda a parte e praticamente ao longo de toda a faixa etária entre os 12-19 anos. Podem tomar as mais diversas formas, como beber, conduzir em contramão, experimentar drogas, andar à pancada com outros gangues, atirar-se de prédios abaixo, andar pendurado em autocarros, etc., enfim, qualquer coisa que demonstre o abandono da condição infantil e preparação para enfrentar desafios. Suspeito que a ilegalidade de muitas destas práticas se deve a que a sociedade moderna não conseguiu desenvolver ritos de passagem oficiais e não-intelectuais acessíveis aos menos dados à musculação neuronal. Um desses ritos, com alguma frequência, é a masturbação colectiva, em que vários adolescentes do mesmo sexo se juntam numa sala, com um rolo de papel higiénico ao lado, e fazem uma competição masturbatória diante de um filme ou poster pornográfico qualquer, sendo declarado vencedor o que mais vezes ejacular. Não vou entrar em pormenores, mas verifico que alguém, que não me lembro agora, acabou de inventar uma competição do género para os blogues. A ideia, segundo percebi, é exibir fragmentos dos Cadernos de Camus, que servirão de inspiração para toadas de "filosofia e literatura". Ou seja, o objectivo não é estudar Camus, discutir Camus, perceber Camus ou partilhar Camus, mas usá-lo como afrodisíaco de esguichadelas eruditas, sem dúvida com o intuito de saber quem tem os testículos neuronais mais bem fornecidos. A iniciativa em si não me incomoda particularmente. Incomoda-me, isso sim, saber que o responsável involuntário de transformar Camus numa playmate de biblioteca fui eu. Albert, perdoa-me!

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