Cruzes Canhoto!
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2/14/2004

PARASQUEVIDECATRIOFOBIA EM 466 - Bom, hoje é a primeira sexta-feira 13 do ano, para grande azar dos parasquevidecatriafóbicos, isto é, as pessoas que têm uma fobia irracional à sexta-feira 13 (não confundir com os triscadeicafóbicos que só têm medo do número 13); quer dizer, confesso que não sei se também há quem tenha fobia à sexta-feira 14, mas conheço muita gente que tem fobia ao 1 de Maio e ao 25 de Abril, só que isso não interessa nada agora, pois tenho coisas mais interessantes para dizer, como o facto de estar cientificamente provado que há quem tenha mesmo mais azar neste dia – embora seja discutível qual será a causa e qual será o efeito, quero dizer, se o azar se deve a ser sexta-feira 13 ou o medo da sexta-feira 13 induz a que aconteçam mais acidentes –, por exemplo as empresas que têm de enfrentar maior número de baixas neste dia por parte dos empregados mais medrosos, como os 17 a 21 milhões de americanos e 4 a 5 milhões de ingleses que tremem que se pelam neste dia, muitos nem sequer saindo do vale dos lençóis à espera que passe, ou as orgulhosas marinhas de guerra anglo-saxónicas que se recusam a lançar barcos à água desde que um HMS Friday principiou a sua viagem inaugural a uma Sexta-feira 13 e nunca mais foi visto, ou os republicanos e laicos franceses que têm uma discreta organização que disponibiliza convidados extra para jantares com 13 pessoas e os orgulhosos italianos cujas lotarias não têm bilhetes com o número 13, e até os muitos arranha-céus americanos em que os pisos são contados por 11, 12, 14, 15…; talvez esta numerofobia tenha nascido com os egípcios, que separavam a vida em 13 estádios, sendo o último a morte; talvez esteja mais remotamente ligada aos 13 ciclos lunares e menstruais de 28 dias que ocorrem durante o ano, sendo assim esta superstição uma inversão da sociedade patriarcal – será coincidência que os sabbaths das bruxas tivessem treze participantes?-, mas também pode dever-se a um ou ambos de dois jantares: o jantar dos deuses de Valhalla em que o 13.º conviva, Loki, em vingança por não ter sido convidado, enganou Hod, deus do Inverno, de forma a este matar Balder, o deus bom; e o jantar da Páscoa em que um dos 13 convivas, chamado Judas, sentindo-se insultado, traiu e fez matar o seu bom mestre Jesus (vou abster-me de comentar as semelhanças entre estas duas histórias); mas é evidente que a sexta-feira também tem muito que se lhe diga: era o dia da semana em que os condenados romanos eram executados, além de ser o dia santo das religiões pagãs em que se comemorava a deusa Freya entre os escandinavos (o que deu origem ao inglês Friday) e a deusa Vénus entre os Romanos (proveniência do Vendredi francês) – e ambas eram as deusas do sexo, da fertilidade e do amor carnal, logo se compreendendo que a sociedade patriarcal cristã que se seguiu só pudesse dizer “lagarto, lagarto, lagarto” a dia tão feminino como a sexta-feira 13. (Esta foi uma tentativa falhada de bater o recorde de maior frase impressa, detida por um estudante do liceu que explicava ao New York Times o que aprendera na escola. Com uma frase de 1286 palavras, o adolescente deve ter aprendido tudo menos gramática. Eu fiquei-me pelas 466 palavras. Chuif, já não serei nenhum Saramago.)

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