Cruzes Canhoto!
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3/14/2004

DA ORIGEM DO NIILISMO - Não tenho grandes dúvidas que a ETA teria capacidade, meios e frieza suficiente para executar a matança de 5.ª-feira. Tenho é dúvidas se teria motivos para isso. Só nos blockbusters americanos é que os terroristas matam "porque lhes dá pica". Mas no Jornal da Noite da SIC vi várias coisas interessantes. Vi uma manifestação "espontânea" em frente ao PP espanhol a acusar o governo de estar a sonegar informação ao público para condicionar as eleições de amanhã. Vi (Por coincidência? Hummm.) uma conferência do Ministro do Interior espanhol, feita poucas horas depois do início da manifestação, a anunciar a prisão de cinco suspeitos, três marroquinos e dois indianos. E vi o Pacheco Pereira fodidíssimo com a manifestação mas muito leniente com a possibilidade da acusação ser verdadeira. A reinvindicação de "espontaneidade" da manifestação é um tanto caricata, a menos que os bravos madrilenos tenham ganho o hábito de se passear com faixas e cartazes no bolso de trás das calças. E chamar "assassino" a Aznar é grotesco. Apesar de algumas semelhanças físicas entre os dois, Aznar é um governante democraticamente eleito ao passo que Ben Ladem é um playboy milionário que, em vez de estoirar a fortuna em carros e mulheres, decidiu estoirá-la a matar pessoas. Mas como qualificar um governo que, após um atentado que vitimou milhares dos seus cidadãos, talvez tenha escondidod informações imprescindíveis para apanhar os culpados por motivos puramente eleitorais? Assassinos não serão, mas fica-se a pensar que não olham os mortos com muito mais emoção que aqueles. Só que se coloca a questão: "Porque seria mais conveniente ao PP que o atentado fosse da ETA e não da Al-Qaeda?" Combater o terrorismo por todos os meios é uma prioridade de todos países democráticos e não querer assumir essa luta apenas por receio de represálias não passa de cobardia. Mas o que dizer da guerra no Iraque de que Espanha foi uma das principais promotoras? Disseram-nos que esta era motivada para apanhar as armas de destruição maciça de Saddam, ajudar a promover o processo de paz israelo-palestiniano e combater o terrorismo. Quanto às armas estamos conversados, o processo de paz está num caco ao passo que os terroristas, não só parecem ter-se multiplicado no Iraque, como é pouco credível que as células europeias e americanas tenham abandonado os países onde se encontram para se deslocarem para lá. Ora este é o ponto crucial que é necessário explicar. Em que medida é que a dita guerra terá contribuído para potenciar e não reduzir o terrorismo e estará na origem do atentado? Até que ponto ela se revelou inútil no combate ao terrorismo? Esta é a resposta que o Governo Aznar devia estar pronto a responder aberta e francamente, mas parece não estar. Pacheco Pereira afirmou que os terroristas, se forem da Al-Qaeda, não terão escolhido Madrid devido ao apoio à guerra mas por ser um alvo fácil. Isso é só semi-verdade. É lógico que os terroristas árabes escolheriam preferencialmente alvos fáceis, com grandes comunidades muçulmanas e policiamento menos eficaz. Mas, por outro lado, quem é que acredita na possibilidade de haver um grande atentado em Estocolmo ou em Atenas? No programa, Pacheco Pereira mencionou também o livro Impasses, que apresentou como se de um tratado filosófico científico, quando os próprios autores não o vêem mais que um ensaio político de tendência, e ter insinuado que este teria sido propositadamente ignorado os media, apesar de eu ter visto amplas referências ao livro no no DN, no Público, na revista Ler (julgo) e até na coluna do Eduardo Prado Coelho e muitos outros. Segundo JPP, o livro explica "o niilismo e cepticismo muito em voga actualmente". Nesse caso, governos que encobrem pistas de massacres por razões eleitorais parece-me uma excelente causa para tal niilismo. E comentadores televisivos que os desculpabilizam e lançam suspeitas gratuitas sobre os media também.

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